Empréstimo Consignado: Vantagens, Limitações e a Margem Consignável.
O empréstimo consignado é uma das modalidades de crédito mais conhecidas no Brasil. Sua principal característica é simples: as parcelas são descontadas diretamente do salário, aposentadoria, pensão ou outra remuneração elegível antes que o dinheiro fique integralmente disponível para o consumidor.
Essa forma de pagamento reduz o risco de inadimplência para a instituição financeira. Por isso, o consignado costuma apresentar condições mais competitivas do que linhas de crédito sem garantia e sem desconto automático. Entretanto, juros menores não significam que a contratação seja sempre vantajosa. O desconto mensal reduz permanentemente a renda disponível durante todo o prazo do contrato.
Outro conceito fundamental é a margem consignável. Ela determina quanto da renda ou do benefício pode ser comprometido com parcelas descontadas automaticamente. O percentual não é único para todos os brasileiros: aposentados e pensionistas do INSS, beneficiários do BPC, trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos podem estar sujeitos a regras diferentes. :contentReference[oaicite:0]{index=0}
Em agosto de 2026, por exemplo, aposentados e pensionistas elegíveis do INSS possuem limite global de até 45% do benefício para as modalidades previstas, sendo até 35% destinados ao empréstimo pessoal consignado, 5% ao cartão de crédito consignado e outros 5% ao cartão consignado de benefício. Para o BPC, a estrutura é diferente. :contentReference[oaicite:1]{index=1}
Já no Crédito do Trabalhador, destinado a trabalhadores abrangidos pelas regras atuais do consignado privado, o desconto das parcelas deve respeitar o limite de 35% da remuneração disponível. :contentReference[oaicite:2]{index=2}
Por isso, antes de contratar, não basta perguntar quanto dinheiro o banco libera. É necessário entender quanto da renda ficará comprometido, qual será o Custo Efetivo Total, quantas parcelas existirão e quanto restará mensalmente para alimentação, moradia, saúde, transporte e demais despesas.
O que é empréstimo consignado?
O consignado é uma operação de crédito na qual o pagamento das prestações é vinculado à renda do tomador. Em vez de o cliente receber um boleto todo mês e decidir quando pagará, a parcela é descontada automaticamente pela fonte pagadora ou pelo sistema responsável pela folha.
Dependendo da categoria do consumidor, a fonte do desconto pode ser:
- benefício previdenciário;
- pensão;
- folha de pagamento de servidor;
- salário de trabalhador da iniciativa privada;
- outra remuneração legalmente elegível.
A estrutura do consignado é disciplinada por diferentes normas. Para trabalhadores privados, uma das principais referências é a Lei nº 10.820/2003, que foi significativamente atualizada em 2025 pela Lei nº 15.179, responsável por modernizar a operacionalização digital do consignado para trabalhadores. :contentReference[oaicite:3]{index=3}
Por que os juros do consignado costumam ser menores?
Em uma operação de empréstimo pessoal tradicional, o banco depende do pagamento voluntário do cliente a cada vencimento. No consignado, a prestação é retirada diretamente da renda elegível dentro da margem disponível.
Essa característica reduz um dos principais riscos da instituição: o cliente receber o dinheiro e deixar de pagar voluntariamente as prestações.
Isso ajuda a explicar por que as taxas do consignado normalmente são mais competitivas em comparação com modalidades de crédito pessoal sem garantia. O Banco Central mantém inclusive levantamentos próprios das taxas praticadas pelas instituições nas diferentes modalidades, permitindo ao consumidor comparar bancos antes da contratação. :contentReference[oaicite:4]{index=4}
Entretanto, menor risco para o banco não elimina o risco para o consumidor.
O que é margem consignável?
A margem consignável é o limite da renda que pode ser comprometido com descontos de determinadas operações consignadas.
Imagine que uma pessoa possua uma renda considerada para margem de R$ 4.000 e esteja sujeita a uma margem de até 35% para empréstimos.
Em uma conta simplificada:
R$ 4.000 × 35% = R$ 1.400.
Isso significa que as parcelas dos empréstimos consignados abrangidos por esse limite não poderiam, em conjunto, ultrapassar R$ 1.400 mensais, observadas as regras específicas aplicáveis ao caso.
Se a pessoa já possui R$ 900 em parcelas consignadas, sua margem disponível aproximada seria de R$ 500.
Entretanto, a base de cálculo pode não ser simplesmente o salário bruto. No Crédito do Trabalhador, por exemplo, utiliza-se a chamada remuneração disponível, calculada depois de determinadas deduções obrigatórias. :contentReference[oaicite:5]{index=5}
Margem máxima não significa parcela recomendável
Esse é provavelmente o conceito mais importante da matéria.
O fato de a legislação permitir determinado percentual não significa que financeiramente seja saudável utilizá-lo integralmente.
Imagine alguém que recebe R$ 3.000 líquidos e compromete R$ 1.050 mensalmente com consignado.
Restarão R$ 1.950 para:
- moradia;
- alimentação;
- energia;
- água;
- medicamentos;
- transporte;
- seguros;
- imprevistos;
- demais despesas pessoais.
Se essas despesas já consomem praticamente toda a renda restante, utilizar toda a margem pode transformar um empréstimo barato em um grave problema de orçamento.
A margem é um teto operacional. Seu limite financeiro pessoal pode precisar ser muito menor.
Qual é a margem do consignado do INSS em 2026?
Para aposentadorias e pensões elegíveis do INSS, a regulamentação vigente em 2026 prevê limite global de até 45% do valor considerado para margem consignável. A divisão indicada atualmente é:
- até 35% para empréstimo pessoal consignado;
- até 5% para cartão de crédito consignado;
- até 5% para cartão consignado de benefício.
Esses percentuais constam da Instrução Normativa do INSS consolidada com as alterações realizadas até maio de 2026. :contentReference[oaicite:6]{index=6}
É importante não interpretar os 45% como se todo esse percentual pudesse ser utilizado livremente em empréstimos tradicionais. Existem sublimites reservados para modalidades específicas.
Cartão consignado não é a mesma coisa que empréstimo consignado
Essa diferença gera muita confusão.
O empréstimo consignado tradicional possui valor liberado, quantidade de prestações e parcela mensal determinada.
Já o cartão consignado funciona como produto de cartão, com uma margem específica reservada para desconto. O mesmo raciocínio vale para o cartão consignado de benefício nas categorias em que ele existe.
Portanto, o consumidor não deve aceitar um “cartão benefício” acreditando que está simplesmente contratando outro empréstimo consignado comum.
Antes da contratação, identifique claramente:
- qual é o produto;
- quanto será liberado;
- como ocorre o pagamento;
- qual margem ficará reservada;
- qual é o CET;
- quando a dívida terminará.
E qual é a margem do BPC?
Para o Benefício de Prestação Continuada, a regulamentação do INSS possui limite próprio.
As regras consolidadas indicam até 30% para empréstimo pessoal consignado e até 5% destinados às operações de cartão previstas na regulamentação, totalizando margem de até 35% nas condições aplicáveis ao BPC. :contentReference[oaicite:7]{index=7}
Portanto, não se deve aplicar automaticamente ao beneficiário do BPC o limite de 45% utilizado para determinadas aposentadorias e pensões.
Essa diferença é especialmente importante em simuladores e ofertas comerciais.
Quantas parcelas pode ter o consignado do INSS?
Outra regra alterada recentemente envolve o prazo das operações.
A regulamentação consolidada do INSS passou a admitir, em 2026, prazo de até 108 parcelas mensais e sucessivas para as operações abrangidas pela norma. :contentReference[oaicite:8]{index=8}
Um prazo tão longo pode reduzir bastante a prestação, mas exige cuidado.
Se a dívida for distribuída em muitos anos, uma parcela aparentemente pequena permanecerá reduzindo o benefício durante longo período.
O consumidor deve comparar pelo menos:
- 36 parcelas;
- 60 parcelas;
- prazo intermediário disponível;
- prazo máximo oferecido.
Depois, deve verificar quanto pagará no total em cada cenário.
Prazo maior nem sempre significa melhor empréstimo
Considere um crédito de R$ 20 mil.
Em um prazo curto, a parcela pode ser elevada e comprometer excessivamente a renda. Em um prazo muito longo, a prestação fica mais confortável, mas o consumidor permanece pagando juros durante muito mais tempo.
O melhor prazo normalmente é aquele que consegue equilibrar três fatores:
- parcela que cabe no orçamento;
- menor custo possível;
- tempo razoável de endividamento.
Escolher automaticamente o maior prazo apenas para conseguir receber mais dinheiro pode ser uma armadilha.
Como funciona o consignado para trabalhadores CLT?
O modelo foi modernizado com o Crédito do Trabalhador e com as alterações introduzidas na Lei nº 10.820 pela Lei nº 15.179/2025.
As operações podem utilizar sistemas e plataformas digitais integrados a informações trabalhistas e previdenciárias. A legislação abrange empregados regidos pela CLT e também outras categorias previstas expressamente, como trabalhadores rurais e empregados domésticos nas condições legais. :contentReference[oaicite:9]{index=9}
O desconto das parcelas deve respeitar o limite de até 35% da remuneração disponível do vínculo empregatício. :contentReference[oaicite:10]{index=10}
O que é remuneração disponível no Crédito do Trabalhador?
Não se trata simplesmente de pegar o salário bruto e multiplicar por 35%.
A Portaria do Ministério do Trabalho estabelece que, para calcular a remuneração disponível, são consideradas rubricas remuneratórias sujeitas à contribuição previdenciária e deduzidos valores obrigatórios, como determinadas contribuições previdenciárias, Imposto de Renda retido na fonte e outros descontos compulsórios. :contentReference[oaicite:11]{index=11}
Isso significa que a margem pode variar quando a remuneração disponível do mês muda.
Se determinado mês não possuir renda disponível suficiente para descontar a parcela integral, pode ocorrer desconto parcial dentro das regras, e o trabalhador deverá tratar com a instituição financeira o valor que não foi descontado. :contentReference[oaicite:12]{index=12}
O FGTS é utilizado para pagar o empréstimo?
O salário continua sendo o principal elemento da operação. Entretanto, a legislação permite que o trabalhador ofereça determinadas garantias vinculadas ao FGTS.
A Lei nº 10.820 autoriza o empregado, nas operações abrangidas, a oferecer como garantia até 10% do saldo de sua conta vinculada ao FGTS e até 100% do valor da multa rescisória nas situações previstas legalmente. :contentReference[oaicite:13]{index=13}
Isso não significa que todo Crédito do Trabalhador automaticamente consuma o FGTS.
A garantia deve ser analisada nas condições da contratação.
O consumidor precisa compreender que oferecer garantia pode ajudar nas condições do crédito, mas também vincula patrimônio que teria outra função financeira.
O que acontece com o consignado CLT se houver demissão?
A demissão não significa automaticamente desaparecimento da dívida.
As regras atuais estabelecem procedimentos específicos relacionados ao desconto sobre remuneração disponível e, quando aplicável, às garantias autorizadas. Em 2026, o Ministério do Trabalho e o eSocial também publicaram orientações operacionais específicas para os procedimentos em caso de desligamento. :contentReference[oaicite:14]{index=14}
Se não houver valor suficiente para quitar uma parcela, o trabalhador pode precisar procurar diretamente a instituição financeira para regularizar o contrato. :contentReference[oaicite:15]{index=15}
Por isso, quem trabalha no setor privado deve considerar também o risco de redução salarial, afastamento ou desemprego antes de comprometer grande parte da remuneração.
E os servidores públicos federais?
As regras também mudaram em 2026.
Para servidores abrangidos pelo sistema federal correspondente, desde 19 de maio de 2026 e até 13 de janeiro de 2027 o limite global das consignações facultativas é de até 40%.
A estrutura atualmente informada pelo Portal do Servidor é:
- até 35% para empréstimos e financiamentos consignados;
- até 5% para cartão de crédito consignado;
- ou até 5% para cartão consignado de benefício.
O percentual global nessa fase é, portanto, de 40%, e não simplesmente a soma automática de 35% + 5% + 5%. :contentReference[oaicite:16]{index=16}
Servidores estaduais e municipais podem estar sujeitos a normas próprias do respectivo ente público, razão pela qual a margem precisa ser consultada na fonte pagadora correspondente.
Quais são as principais vantagens do consignado?
A principal vantagem costuma estar no custo relativamente mais competitivo proporcionado pelo desconto automático.
Outros benefícios possíveis são:
- parcelas previsíveis em contratos prefixados;
- desconto automático, reduzindo risco de esquecimento;
- prazos maiores em determinadas categorias;
- possibilidade de portabilidade;
- facilidade de contratação para públicos elegíveis;
- possibilidade de substituir determinadas dívidas mais caras.
O consignado pode ser especialmente interessante quando utilizado para trocar uma obrigação cara, como determinado crédito pessoal, por outra significativamente mais barata.
Porém, a troca só funciona se o consumidor não voltar a criar a dívida anterior.
Usar consignado para quitar cartão pode fazer sentido?
Em determinadas situações, sim.
Se uma pessoa possui dívida de cartão com custo elevado e consegue um consignado com CET muito inferior, a substituição pode reduzir significativamente o custo financeiro.
Mas existe uma condição essencial: depois de quitar o cartão, o consumidor precisa controlar o uso do limite.
Imagine contratar R$ 15 mil de consignado para zerar cartões e, seis meses depois, voltar a possuir R$ 15 mil de dívida nas faturas.
Agora existirão:
- parcelas mensais do consignado;
- nova dívida de cartão;
- menos renda disponível.
O que deveria ser uma reorganização financeira se transforma em duplicação do endividamento.
Quais são as principais limitações?
A primeira limitação é evidente: a parcela sai antes de o dinheiro chegar integralmente às mãos do consumidor.
Além disso:
- a margem disponível limita novas contratações;
- contratos longos comprometem renda futura;
- refinanciamentos sucessivos podem prolongar a dívida;
- um aumento de renda pode ser rapidamente absorvido por novas operações;
- em determinados produtos existe reserva específica de margem;
- o crédito fácil pode estimular contratação desnecessária.
A estabilidade da parcela pode criar falsa sensação de segurança. Uma prestação de R$ 500 parece pequena isoladamente, mas representa R$ 6 mil por ano retirados da renda.
O perigo de ocupar 100% da margem disponível
Ter margem livre costuma gerar novas ofertas dos bancos.
Isso não significa que exista necessidade de utilizá-la.
Imagine um aposentado que acabou de terminar um contrato de R$ 600 mensais. No mês seguinte, a margem é liberada e imediatamente surge uma oferta para contratar outro empréstimo com parcela semelhante.
Se ele aceitar, sua renda disponível não aumentará, apesar de a dívida anterior ter sido encerrada.
Esse ciclo pode durar muitos anos.
Uma boa estratégia é tratar a liberação de margem como aumento da renda livre, e não automaticamente como autorização para uma nova dívida.
Refinanciamento: atenção ao “troco”
O refinanciamento pode reduzir ou reorganizar determinada operação, mas frequentemente é oferecido acompanhado de dinheiro adicional.
O banco quita ou reorganiza o saldo anterior e cria um novo contrato, eventualmente liberando uma diferença ao consumidor.
A expressão “troco” pode fazer parecer que existe dinheiro gratuito.
Não existe.
Esse valor integra a nova operação e será pago ao longo das novas prestações.
Antes de refinanciar, compare:
- saldo devedor atual;
- quantas parcelas faltam;
- quanto ainda será pago no contrato atual;
- novo valor financiado;
- novo prazo;
- CET;
- valor adicional efetivamente recebido;
- total a pagar na nova operação.
Portabilidade pode reduzir o custo
A portabilidade permite transferir uma dívida de uma instituição para outra quando uma nova instituição oferece condições melhores.
O Banco Central orienta que o cliente obtenha dados como saldo devedor, número de parcelas restantes e taxa do contrato original para comparar uma nova proposta. :contentReference[oaicite:17]{index=17}
No Crédito do Trabalhador, a legislação atual também prevê a portabilidade das operações averbadas nos sistemas ou plataformas correspondentes. :contentReference[oaicite:18]{index=18}
Não compare somente a nova parcela.
Se ela caiu porque o prazo passou de 30 meses restantes para 72 meses, a economia pode ser muito menor do que parece.
Por que comparar o CET?
A taxa de juros é apenas uma parte da análise de um empréstimo.
O Custo Efetivo Total permite enxergar de forma mais ampla os custos vinculados à operação. Antes de contratar, coloque lado a lado propostas com valores e prazos semelhantes.
Compare:
| Informação | Banco A | Banco B |
|---|---|---|
| Valor líquido recebido | R$ | R$ |
| Taxa mensal | % | % |
| CET | % | % |
| Parcela | R$ | R$ |
| Prazo | meses | meses |
| Total a pagar | R$ | R$ |
O Banco Central divulga taxas praticadas por instituições em modalidades consignadas, o que também pode ajudar a identificar propostas muito distantes das condições encontradas no mercado. :contentReference[oaicite:19]{index=19}
É possível quitar antecipadamente?
Sim.
O Código de Defesa do Consumidor assegura a liquidação antecipada total ou parcial do débito com redução proporcional dos juros e demais acréscimos. O Banco Central também confirma esse direito em suas orientações ao consumidor. :contentReference[oaicite:20]{index=20}
Portanto, quem recebe um dinheiro extra pode solicitar o saldo para:
- quitar completamente o contrato;
- amortizar parte da dívida;
- reduzir os juros futuros.
Antes de utilizar dinheiro extra em consumo, pode ser útil comparar quanto seria economizado com a amortização.
Margem não liberada depois da quitação: o que fazer?
Depois que um empréstimo termina ou é liquidado, a margem correspondente precisa ser atualizada nos sistemas responsáveis.
O Banco Central orienta que, se a margem não for liberada, o consumidor procure inicialmente a fonte pagadora ou o SAC da instituição financeira e, se necessário, a Ouvidoria. :contentReference[oaicite:21]{index=21}
No caso de beneficiários do INSS, a regulamentação atual também estabelece procedimentos e prazos para comunicação da exclusão de operações liquidadas antecipadamente à Dataprev. :contentReference[oaicite:22]{index=22}
Guarde sempre comprovante de quitação e protocolo.
Segurança no consignado do INSS
As regras foram reforçadas recentemente.
Em 2026, a regulamentação do INSS passou a exigir autorização da operação no aplicativo Meu INSS mediante biometria com validação de vivacidade e correspondência facial para as operações abrangidas pela nova regra. A proposta disponibilizada no aplicativo precisa ser analisada pelo titular dentro do prazo previsto; ele pode autorizar, desistir ou contestar uma proposta que não solicitou. :contentReference[oaicite:23]{index=23}
O próprio INSS alerta que não oferece empréstimos diretamente e recomenda cuidado com pessoas que entram em contato utilizando o nome do instituto. :contentReference[oaicite:24]{index=24}
Nunca entregue senha do gov.br, códigos recebidos no celular ou acesso remoto ao aparelho para supostos correspondentes bancários.
Como calcular se a parcela realmente cabe no orçamento?
Em vez de olhar apenas a margem, monte o orçamento real.
| Item | Valor mensal |
|---|---|
| Renda disponível | R$ 4.000 |
| Moradia | R$ 1.200 |
| Alimentação | R$ 800 |
| Saúde | R$ 350 |
| Transporte | R$ 400 |
| Contas essenciais | R$ 500 |
| Outras despesas | R$ 300 |
Nesse exemplo, apenas R$ 450 permanecem livres antes mesmo de considerar imprevistos.
A pessoa pode possuir margem legal superior a isso, mas contratar uma parcela de R$ 1.000 seria incompatível com sua realidade.
Esse exemplo mostra por que margem consignável e capacidade de pagamento não são a mesma coisa.
Quando o consignado pode ser uma boa escolha?
A operação tende a fazer mais sentido quando existe uma finalidade clara e quando o custo é comparado com outras alternativas.
Alguns exemplos possíveis:
- substituir dívida significativamente mais cara;
- resolver despesa necessária sem utilizar cheque especial ou rotativo;
- financiar uma necessidade planejada com parcela realmente compatível;
- portar uma operação cara para outra mais barata;
- reorganizar dívidas dentro de um plano que reduza o endividamento total.
Em todos esses casos, o empréstimo precisa resolver um problema financeiro, e não simplesmente criar dinheiro adicional para consumo.
Quando o consignado merece cautela?
Algumas situações são sinais claros de atenção:
- contratar apenas porque recebeu uma ligação oferecendo dinheiro;
- usar toda a margem sem necessidade;
- renovar contratos continuamente;
- pegar consignado para continuar gastando acima da renda;
- usar empréstimo para pagar outro sem reduzir o custo;
- não saber quando o contrato termina;
- não conhecer o CET;
- contratar cartão consignado pensando que é empréstimo;
- usar prazo máximo apenas para conseguir valor maior;
- comprometer recursos destinados a despesas essenciais.
Crédito barato utilizado sem planejamento continua sendo dívida.
Checklist antes de contratar
- Identifique sua categoria de consignado.
- Consulte a margem disponível.
- Não confunda margem máxima com capacidade financeira.
- Defina exatamente quanto dinheiro precisa.
- Evite pedir valor maior apenas porque há margem.
- Compare pelo menos três instituições quando possível.
- Verifique taxa mensal.
- Confira o CET.
- Veja o número total de parcelas.
- Calcule o total a pagar.
- Compare prazos diferentes.
- Confira se há seguro ou produto adicional.
- Descubra se a operação é empréstimo ou cartão consignado.
- Leia as condições de refinanciamento.
- Verifique a possibilidade de portabilidade.
- Confira regras de quitação antecipada.
- Calcule quanto sobrará da renda depois da parcela.
- Mantenha uma margem para emergências.
- Não compartilhe senha ou biometria com terceiros.
- Guarde contrato e comprovante de liberação.
Principais mitos sobre o consignado
“Se tenho margem, posso pagar a parcela”
Não necessariamente. A margem representa um limite legal ou operacional, e não um estudo completo do seu orçamento.
“Todo consignado possui margem de 35%”
Falso. Os percentuais variam conforme a categoria. Aposentados e pensionistas elegíveis do INSS possuem estrutura diferente do BPC e dos servidores federais, por exemplo. :contentReference[oaicite:25]{index=25}
“Quanto maior o prazo, melhor”
Não. Prazo maior reduz a parcela, mas pode aumentar o custo total e prolongar o comprometimento da renda.
“Refinanciamento dá dinheiro de volta”
O chamado troco normalmente representa novo valor financiado e deverá ser pago no novo contrato.
“Consignado não oferece risco porque desconta automaticamente”
O risco de esquecimento da parcela diminui, mas o risco de comprometer excessivamente a renda permanece.
Conclusão
O empréstimo consignado pode ser uma das ferramentas mais eficientes do mercado para quem precisa de crédito, especialmente porque o desconto automático reduz o risco da instituição e costuma permitir condições competitivas.
Entretanto, sua principal vantagem também é sua principal limitação: a parcela é retirada diretamente da renda.
O consumidor não pode simplesmente decidir deixar de pagar o empréstimo em um mês de orçamento apertado e utilizar aquele dinheiro para outra despesa. Enquanto houver contrato e margem válida, o desconto seguirá as regras da operação.
Por isso, compreender a margem consignável é essencial.
Em agosto de 2026, aposentadorias e pensões elegíveis do INSS possuem margem global de até 45%, distribuída entre até 35% para empréstimo pessoal, 5% para cartão de crédito consignado e 5% para cartão consignado de benefício. Para o BPC, a estrutura atualmente prevista é de até 30% para empréstimo e 5% para modalidade de cartão, totalizando até 35%. :contentReference[oaicite:26]{index=26}
No Crédito do Trabalhador, o limite de desconto é de até 35% da remuneração disponível, calculada após as deduções previstas nas regras trabalhistas. :contentReference[oaicite:27]{index=27}
Para servidores federais abrangidos pelas atuais regras do sistema correspondente, o limite global passou a 40% em maio de 2026, com até 35% destinados a empréstimos e até 5% a uma das modalidades de cartão previstas durante a fase atualmente vigente. :contentReference[oaicite:28]{index=28}
Essas diferenças demonstram por que não existe uma única margem consignável válida para todos.
Também é importante considerar o prazo. Nas operações do INSS abrangidas pela regulamentação atual, o limite pode chegar a 108 parcelas. Uma prestação longa pode facilitar o orçamento mensal, mas mantém parte do benefício comprometida durante anos. :contentReference[oaicite:29]{index=29}
Antes de contratar, compare CET, valor líquido recebido, parcela, prazo e total a pagar. Não aceite automaticamente a primeira instituição que oferecer dinheiro e não utilize toda a margem apenas porque ela está disponível.
Se já possui contrato, a portabilidade pode permitir buscar condições melhores. Se dispõe de dinheiro para antecipar a dívida, o consumidor possui direito à redução proporcional dos juros e demais acréscimos aplicáveis à antecipação. :contentReference[oaicite:30]{index=30}
O consignado funciona melhor quando possui começo, finalidade e data prevista para terminar.
A melhor margem consignável não é necessariamente toda aquela que o sistema permite usar. É aquela parcela que resolve uma necessidade sem retirar do orçamento o dinheiro necessário para viver com segurança.
