Negativação do MEI e o Impacto no CPF da Pessoa Física.

Negativação do MEI e o Impacto no CPF da Pessoa Física.

O Microempreendedor Individual foi criado para facilitar a formalização de pequenos negócios. Com poucos procedimentos, o empreendedor consegue obter CNPJ, emitir notas fiscais, recolher tributos de forma simplificada e acessar produtos financeiros destinados às empresas.

Essa facilidade pode gerar, porém, uma interpretação equivocada: a ideia de que o CNPJ do MEI funciona como uma empresa totalmente separada da pessoa física.

Na prática jurídica, o MEI possui uma característica muito importante: ele é enquadrado como empresário individual. Isso significa que não existe a mesma separação patrimonial encontrada, em regra, em uma sociedade limitada.

Por isso, uma dívida contraída na atividade empresarial pode produzir consequências que ultrapassam o simples cadastro do CNPJ.

Quando um MEI deixa de pagar um empréstimo empresarial, fornecedor, cartão PJ, tributos do DAS ou outras obrigações, podem surgir dúvidas como:

  • o CNPJ pode ser negativado?
  • a restrição também aparece no CPF?
  • uma dívida do MEI pode prejudicar um financiamento pessoal?
  • os bens particulares podem responder pela dívida?
  • débitos do DAS podem chegar à Serasa?
  • fechar o MEI elimina as dívidas?
  • uma pessoa com CPF negativado pode abrir MEI?

As respostas dependem do tipo da dívida, da documentação contratual e do estágio da cobrança.

É especialmente importante diferenciar três situações:

1. negativação registrada no CNPJ;

2. responsabilidade pessoal do titular pela dívida;

3. impacto indireto da dívida empresarial na análise de crédito do CPF.

Essas três coisas podem estar relacionadas, mas não são exatamente iguais.

Este guia explica como funciona essa relação, quais riscos o microempreendedor precisa conhecer e como organizar a regularização para evitar que problemas do negócio comprometam também sua vida financeira pessoal.

O MEI é uma empresa separada da pessoa física?

O MEI possui CNPJ, nome empresarial, cadastro fiscal e obrigações próprias relacionadas à atividade econômica.

Entretanto, juridicamente, ele é um empresário individual.

Isso faz uma diferença enorme quando o assunto é responsabilidade por dívidas.

Ao contrário de uma sociedade limitada, na qual existe uma pessoa jurídica distinta dos sócios e uma separação patrimonial estruturada pela legislação, o empresário individual exerce sua atividade em nome próprio.

O CNPJ funciona como identificação da atividade empresarial para diversos fins tributários, previdenciários, cadastrais e comerciais, mas não cria automaticamente uma barreira patrimonial completa entre o empreendedor e o negócio.

É por isso que uma dívida empresarial de um MEI não deveria ser analisada como se pertencesse a uma companhia totalmente independente do titular.

O MEI possui responsabilidade limitada?

Não.

O MEI não possui a limitação de responsabilidade típica de uma sociedade limitada.

Isso significa que, observadas as regras jurídicas aplicáveis à cobrança e aos bens protegidos por lei, o patrimônio pessoal do empresário pode responder pelas obrigações decorrentes da atividade.

Essa característica diferencia o MEI de estruturas como uma sociedade limitada unipessoal.

Portanto, antes de assumir empréstimos, comprar mercadorias a prazo ou utilizar limites empresariais, o microempreendedor precisa considerar que o risco econômico não está necessariamente restrito ao dinheiro existente na conta PJ.

O CNPJ do MEI pode ser negativado?

Sim.

Quando existe uma obrigação empresarial legítima, vencida e não paga, o credor pode adotar mecanismos de cobrança permitidos pela legislação.

Dependendo do contrato, podem existir medidas como:

  • cobrança extrajudicial;
  • renegociação;
  • protesto;
  • registro em cadastro de inadimplentes;
  • ação judicial;
  • execução quando existir título adequado.

Uma dívida de cartão empresarial, empréstimo PJ, fornecedor ou serviço contratado em nome do MEI pode, portanto, aparecer vinculada ao CNPJ.

Esse registro empresarial pode prejudicar diretamente a capacidade do negócio de conseguir novos limites e financiamentos.

CNPJ negativado significa CPF negativado automaticamente?

Não necessariamente.

Esse é um dos pontos que mais exigem cuidado.

CPF e CNPJ são identificadores diferentes e os cadastros de crédito podem registrar informações de maneira distinta.

Uma restrição registrada apenas contra determinado CNPJ não precisa necessariamente aparecer na consulta cadastral do CPF como uma segunda negativação idêntica.

Entretanto, isso não significa que a pessoa física esteja completamente isolada das consequências.

No caso do MEI, o titular e a atividade empresarial possuem uma ligação jurídica muito maior do que aquela existente entre um sócio comum e uma sociedade limitada.

Além disso, instituições financeiras podem avaliar simultaneamente informações do negócio e do titular antes de conceder crédito.

Então como uma dívida do MEI pode afetar o CPF?

Existem diferentes caminhos.

1. Responsabilidade pessoal pela obrigação

Como o MEI é empresário individual, o empreendedor responde pelos riscos da própria atividade.

2. Contratos com garantia pessoal

Algumas operações podem incluir aval, garantia, confissão de dívida ou outras obrigações assumidas expressamente pelo titular.

3. Cobrança tributária

Débitos fiscais do MEI podem ser inscritos em dívida ativa e submetidos a medidas de cobrança.

4. Análise de risco do banco

Uma instituição pode considerar informações relacionadas ao negócio quando analisa uma solicitação pessoal de crédito do microempreendedor.

5. Fluxo financeiro

Uma empresa endividada pode reduzir a renda e a capacidade de pagamento do próprio titular.

Portanto, a ausência de uma restrição visível no CPF não significa necessariamente ausência de impacto financeiro.

Banco pode analisar CNPJ e CPF juntos?

Na prática, uma instituição que concede crédito a um microempreendedor pode avaliar tanto a atividade empresarial quanto a situação do titular.

Isso faz sentido porque a capacidade de pagamento do MEI está diretamente associada ao desempenho do próprio negócio.

Imagine um profissional que possui:

  • CNPJ com dívidas vencidas;
  • queda significativa no faturamento;
  • empréstimos empresariais;
  • conta pessoal sem qualquer negativação.

O CPF pode estar sem restrições tradicionais, mas a instituição ainda pode considerar que existe risco maior na concessão de um novo empréstimo.

Por isso, “CPF limpo” não é sinônimo de aprovação garantida.

Score do CNPJ e Score do CPF são a mesma coisa?

Não.

Análises de risco podem considerar informações diferentes para pessoas físicas e atividades empresariais.

O histórico empresarial pode envolver elementos como:

  • tempo de atividade;
  • histórico de pagamentos;
  • relacionamento com fornecedores;
  • consultas de crédito;
  • dívidas registradas;
  • movimentação financeira;
  • comportamento de pagamento do negócio.

Já uma avaliação da pessoa física pode considerar outros elementos relacionados ao CPF.

No caso do MEI, entretanto, existe uma relação econômica muito próxima entre esses dois universos.

Por isso, tentar organizar exclusivamente o CPF enquanto o CNPJ acumula dívidas pode não resolver o problema de acesso a crédito.

DAS do MEI atrasado negativará imediatamente o CPF?

Não é correto imaginar que deixar de pagar um único DAS produza automaticamente uma negativação imediata no CPF no dia seguinte.

A cobrança tributária possui um procedimento próprio.

O débito pode permanecer inicialmente nos sistemas tributários competentes e, se não for regularizado, poderá avançar para outras etapas de cobrança.

Quando débitos são inscritos em Dívida Ativa da União, entram na esfera de cobrança da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

Nessa fase, as consequências podem ser significativamente maiores.

O que pode acontecer quando a dívida do MEI vai para a PGFN?

A PGFN possui diferentes instrumentos para cobrança de dívidas inscritas.

Entre as medidas que podem ser utilizadas estão:

  • protesto em cartório;
  • comunicação aos órgãos de proteção ao crédito;
  • inclusão no Cadin;
  • inclusão na Lista de Devedores;
  • averbações relacionadas a bens;
  • ajuizamento de execução fiscal;
  • penhora de patrimônio, quando juridicamente cabível.

Por isso, ignorar durante anos os DAS do MEI pode transformar uma dívida originalmente pequena em um problema muito mais complexo.

O débito tributário do MEI aparece pelo CPF ou pelo CNPJ?

Para consulta e regularização de débitos inscritos do MEI perante a PGFN, o procedimento oficial utiliza o CNPJ.

Isso não deve ser interpretado, porém, como prova de que a pessoa física não possui responsabilidade.

É justamente a natureza de empresário individual que cria a ligação entre o negócio e seu titular.

Por isso, o mais importante não é apenas perguntar qual número aparece na tela da dívida.

A pergunta deve ser:

quem é juridicamente responsável pela obrigação e quais medidas podem ser tomadas para cobrá-la?

Dívida fiscal pode resultar em restrição de crédito?

Sim.

Depois da inscrição em dívida ativa, podem ser utilizados mecanismos que afetam diretamente a regularidade fiscal e o acesso a determinadas operações.

Além da comunicação aos serviços de proteção ao crédito, podem existir efeitos relacionados a:

  • protesto;
  • Cadin;
  • certidões fiscais;
  • financiamentos com recursos públicos;
  • processos de cobrança.

Para um MEI que depende de capital de giro, veículo financiado ou equipamentos adquiridos a prazo, esses efeitos podem prejudicar diretamente a continuidade da atividade.

CPF “sujo” é a mesma coisa que CPF irregular na Receita Federal?

Não.

Essa distinção é extremamente importante.

No uso popular, a expressão “CPF sujo” geralmente significa que existe uma restrição de crédito associada à pessoa.

Já a situação cadastral do CPF perante a Receita Federal é outra coisa.

Um CPF pode aparecer como:

  • Regular;
  • Pendente de Regularização;
  • Suspenso;
  • Cancelado;
  • Titular Falecido;
  • Nulo.

Uma pessoa pode estar com o CPF cadastralmente regular na Receita e, ao mesmo tempo, possuir dívidas fiscais ou restrições de crédito.

Portanto, pagar uma dívida do MEI e “regularizar o CPF” são expressões que precisam ser interpretadas corretamente.

Um CPF negativado impede abrir MEI?

Não.

Uma pessoa física que possui dívidas bancárias, comerciais ou restrições nos órgãos de proteção ao crédito pode, em regra, formalizar-se como MEI, desde que cumpra os demais requisitos da modalidade.

Assim, estar negativado não impede automaticamente a obtenção do CNPJ.

Entretanto, uma coisa é conseguir abrir o MEI.

Outra é conseguir crédito depois da abertura.

Bancos, fornecedores e programas de financiamento podem realizar suas próprias análises antes de conceder recursos.

Abrir um MEI novo melhora automaticamente o crédito?

Não.

O CNPJ não funciona como um botão para reiniciar a vida financeira.

Uma pessoa com restrições no CPF pode conseguir abrir o MEI, mas isso não significa que bancos serão obrigados a aprovar:

  • cartão empresarial;
  • capital de giro;
  • maquininha com antecipação;
  • financiamento de veículo;
  • limite de conta;
  • empréstimo empresarial.

A instituição pode avaliar o histórico e a capacidade de pagamento do empreendedor antes de assumir o risco.

Dívida do cartão PJ pode alcançar o titular?

O fato de o cartão possuir o nome empresarial e estar vinculado ao CNPJ não significa que a obrigação esteja completamente separada do empresário.

O contrato precisa ser analisado.

É importante conferir:

  • quem aparece como contratante;
  • quem assinou;
  • quais garantias foram prestadas;
  • se existe aval;
  • qual é a natureza jurídica do devedor;
  • quais regras foram previstas em caso de inadimplência.

No MEI, a responsabilidade própria do empresário individual torna essa análise ainda mais importante.

E empréstimo feito em nome do CNPJ?

A mesma lógica vale para empréstimos empresariais.

Não é prudente pensar:

“Se der errado, o banco só poderá cobrar o CNPJ e meu patrimônio pessoal estará automaticamente protegido.”

No MEI, não existe a separação patrimonial típica de uma limitada.

Dependendo do contrato e da cobrança, o patrimônio do empreendedor pode ser atingido, respeitadas as proteções legais existentes para determinados bens.

Fornecedor pode negativar o MEI?

Quando uma compra empresarial é realizada a prazo e a obrigação legítima não é paga, o fornecedor pode utilizar os meios legais disponíveis para cobrança.

Isso pode incluir cadastro negativo do devedor corretamente identificado.

Exemplo:

  • MEI compra R$ 8.000 em mercadorias;
  • pagamento é dividido em quatro boletos;
  • duas parcelas deixam de ser pagas;
  • fornecedor inicia cobrança.

A existência do CNPJ não elimina a obrigação do empresário pelo negócio contratado.

O que acontece se houver aval ou garantia pessoal?

A situação fica ainda mais clara quando o próprio titular assume expressamente uma garantia pessoal.

Antes de assinar qualquer contrato empresarial, procure identificar palavras e expressões como:

  • avalista;
  • fiador;
  • garantidor;
  • devedor solidário;
  • coobrigado;
  • confissão de dívida.

Essas cláusulas podem aumentar a exposição pessoal do empreendedor.

Não considere uma assinatura em contrato PJ apenas uma formalidade para liberar o dinheiro.

Fechar o MEI elimina as dívidas?

Não.

A baixa do CNPJ não funciona como perdão das obrigações anteriores.

É possível realizar a baixa mesmo existindo determinados débitos, mas isso não significa que as cobranças desapareçam.

Obrigações existentes ou posteriormente apuradas podem continuar sendo cobradas do responsável.

Portanto, encerrar um MEI para “zerar o CNPJ e começar de novo” não é uma estratégia segura de regularização financeira.

Posso abrir outro CNPJ para fugir das dívidas?

Não se deve tratar uma nova formalização como mecanismo para eliminar obrigações antigas.

Uma dívida válida continua sujeita aos mecanismos legais de cobrança.

A solução adequada é identificar:

  • origem do débito;
  • credor;
  • valor atualizado;
  • possibilidade de negociação;
  • eventual parcelamento;
  • eventual irregularidade na cobrança.

Se a dívida for indevida, deve ser contestada.

Se for legítima, a melhor estratégia costuma ser organizar sua regularização.

DAS atrasado também afeta direitos previdenciários?

Sim.

A contribuição mensal do MEI possui componente previdenciário.

Períodos em inadimplência podem prejudicar a contagem correspondente para benefícios previdenciários até que sejam observadas as regras necessárias para regularização.

Portanto, deixar de pagar o DAS não representa apenas um problema de cobrança tributária.

Pode haver também reflexos previdenciários.

Como consultar as dívidas do MEI?

Primeiro, separe débitos tributários de dívidas comerciais e bancárias.

Para tributos, consulte os sistemas oficiais relacionados ao MEI, Simples Nacional e, quando houver inscrição em dívida ativa, o Regularize da PGFN.

Para obrigações comerciais, confira:

  • bancos;
  • cartões empresariais;
  • fornecedores;
  • serviços contratados;
  • protestos;
  • cadastros de proteção ao crédito.

Monte uma lista única.

Isso permite saber se você possui apenas algumas parcelas em atraso ou um problema que já envolve múltiplos credores.

Monte uma planilha separando CPF e CNPJ

Dívida Documento relacionado Saldo Situação
DAS MEI CNPJ R$ Tributária
Cartão PJ CNPJ/Contrato R$ Atrasado
Fornecedor CNPJ R$ Negociação
Cartão pessoal CPF R$ Em dia
Financiamento pessoal CPF R$ Em dia

Depois acrescente uma coluna indicando quais contratos possuem garantia pessoal.

Isso ajuda a compreender onde existe maior risco.

Qual dívida deve ser regularizada primeiro?

Não existe uma única ordem correta para todos.

Analise:

  • juros;
  • risco de protesto;
  • risco de execução;
  • garantias;
  • impacto no funcionamento da empresa;
  • possibilidade de desconto;
  • necessidade de certidão;
  • valor necessário para quitação;
  • parcela que cabe no fluxo de caixa.

Uma dívida tributária já inscrita em dívida ativa pode exigir atenção diferente de uma pequena cobrança de fornecedor ainda em negociação.

Parcelar uma dívida resolve imediatamente toda restrição?

Não necessariamente.

É preciso verificar a natureza da dívida e as condições do acordo.

Em débitos fiscais, um parcelamento regularmente mantido pode modificar a situação de exigibilidade e permitir determinadas regularizações, observadas as regras correspondentes.

Já no crédito privado, é necessário verificar quando o credor providenciará a retirada do registro negativo.

Por isso, antes de aceitar um acordo, pergunte:

  • quando a restrição será retirada?
  • o que acontece se uma parcela atrasar?
  • o desconto será perdido?
  • existe protesto separado?
  • há processo judicial?

Paguei a dívida, mas a restrição continua

Guarde sempre:

  • termo do acordo;
  • comprovantes;
  • declaração de quitação;
  • protocolos;
  • consulta demonstrando a restrição.

Se a cobrança era privada e o débito foi integralmente quitado, solicite formalmente a atualização.

Se houver protesto tributário, confira também o procedimento de baixa junto ao cartório, porque pagar a dívida e cancelar o protesto podem envolver etapas diferentes.

E se a negativação do MEI estiver errada?

Uma cobrança empresarial também pode ser indevida.

Exemplos:

  • dívida já paga;
  • contrato fraudulento;
  • valor incorreto;
  • cobrança duplicada;
  • obrigação pertencente a outro CNPJ;
  • empresa de cobrança sem legitimidade;
  • registro mantido depois da regularização.

Não pague automaticamente apenas para conseguir crédito.

Peça a documentação que demonstra a origem da obrigação e registre formalmente a contestação.

Como evitar que problemas do MEI contaminem as finanças pessoais?

Mesmo que juridicamente o empresário individual não possua separação patrimonial completa, financeiramente é extremamente útil separar a administração do negócio.

Adote práticas como:

  1. utilize conta separada para o negócio;
  2. registre todas as receitas;
  3. registre todas as despesas;
  4. reserve mensalmente o valor do DAS;
  5. evite pagar despesas pessoais com cartão PJ;
  6. defina uma retirada pessoal;
  7. mantenha reserva de capital de giro;
  8. não utilize todo o limite bancário como se fosse receita;
  9. acompanhe vencimentos;
  10. consulte periodicamente a situação fiscal.

A separação financeira facilita perceber cedo quando a atividade deixou de gerar caixa suficiente para pagar suas próprias obrigações.

Cuidado ao usar o CPF para financiar o próprio MEI

Muitos microempreendedores começam financiando o negócio com recursos pessoais.

Utilizam:

  • cartão de crédito pessoal;
  • cheque especial;
  • empréstimo pessoal;
  • financiamento em nome próprio.

Quando o negócio não consegue devolver esse dinheiro, o problema que originalmente era empresarial passa a aparecer diretamente no CPF.

Isso pode criar um ciclo perigoso.

O empreendedor paga fornecedores com cartão pessoal, depois utiliza empréstimo para pagar o cartão e finalmente busca outro crédito para cobrir o empréstimo.

Antes de chegar a esse estágio, é melhor revisar preços, margem, custos e capacidade real do negócio.

Negativação do CNPJ pode dificultar financiamento pessoal?

Pode dificultar, embora isso não deva ser confundido com uma negativação automática do CPF.

Uma instituição pode avaliar o conjunto da situação econômica do cliente.

Se a principal fonte de renda da pessoa é um MEI com dívidas relevantes, isso pode ser levado em consideração na análise de capacidade de pagamento.

Além disso, determinados programas de crédito podem exigir ausência de restrições tanto no CNPJ quanto no CPF do titular.

Portanto, a melhor estratégia é manter os dois ambientes financeiros organizados.

Checklist para o MEI com dívidas

  1. Consulte a situação do CNPJ.
  2. Consulte a situação fiscal.
  3. Verifique DAS em atraso.
  4. Confira se existem débitos inscritos em dívida ativa.
  5. Acesse o Regularize quando houver inscrição na PGFN.
  6. Verifique protestos.
  7. Consulte restrições do CNPJ.
  8. Consulte também seu CPF.
  9. Liste empréstimos empresariais.
  10. Liste cartões PJ.
  11. Liste fornecedores em atraso.
  12. Leia contratos e garantias.
  13. Identifique aval ou responsabilidade pessoal expressa.
  14. Separe dívidas tributárias e privadas.
  15. Calcule o total devido.
  16. Defina a capacidade mensal de pagamento.
  17. Priorize os débitos de maior risco.
  18. Compare pagamento e parcelamento.
  19. Não aceite acordo que não cabe no fluxo de caixa.
  20. Guarde todos os comprovantes.
  21. Confira a retirada das restrições depois da regularização.
  22. Não feche o CNPJ acreditando que isso apagará as dívidas.
  23. Evite utilizar crédito pessoal caro para esconder prejuízo empresarial.
  24. Mantenha as finanças do negócio separadas das despesas domésticas.

Principais mitos sobre MEI, CPF e negativação

“A dívida está no CNPJ, então nunca pode atingir meu patrimônio pessoal”

Falso. O MEI é empresário individual e não possui limitação de responsabilidade como uma sociedade limitada.

“Qualquer restrição no CNPJ aparece automaticamente no CPF”

Não necessariamente. Os registros cadastrais precisam ser analisados separadamente. Entretanto, a responsabilidade e o impacto na análise de crédito podem alcançar o titular.

“Se meu CPF estiver negativado, não posso abrir MEI”

Falso. Restrição de crédito pessoal não impede, por si só, a formalização como MEI.

“Fechar o MEI apaga todas as dívidas”

Falso. A baixa cadastral não extingue automaticamente obrigações existentes.

“DAS atrasado só gera uma pequena multa”

Não. Além dos encargos, a dívida pode avançar para cobrança fiscal e produzir outras consequências.

“Se o CPF está regular na Receita, não tenho nenhuma dívida”

Falso. Situação cadastral do CPF e situação fiscal ou creditícia são conceitos diferentes.

“Se não tenho restrição no CPF, qualquer banco precisa me emprestar”

Falso. A aprovação depende da análise de risco e das políticas da instituição.

Conclusão

A negativação do MEI exige uma análise diferente daquela aplicada a uma sociedade limitada tradicional.

O principal motivo é a própria natureza jurídica do microempreendedor.

O MEI é uma forma simplificada de empresário individual. Ele possui CNPJ e diversos controles próprios da atividade empresarial, mas não conta com uma separação patrimonial completa entre empresa e titular.

Por isso, uma dívida contraída no negócio pode produzir consequências pessoais muito relevantes.

Isso não significa que toda anotação inserida no CNPJ será automaticamente duplicada no CPF.

CPF e CNPJ continuam sendo identificadores diferentes e os cadastros devem refletir corretamente quem é o devedor e a origem da obrigação.

Entretanto, o fato de a negativação aparecer somente no CNPJ não significa que o empreendedor esteja protegido das demais consequências.

A dívida pode afetar a análise de risco do negócio, reduzir limites empresariais, dificultar compras a prazo e prejudicar o acesso a capital de giro.

Como o MEI responde pessoalmente pelos riscos da atividade, também pode existir cobrança sobre seu patrimônio nas condições juridicamente aplicáveis.

Os débitos tributários merecem atenção especial.

DAS atrasados podem ser inscritos em dívida ativa. Quando isso acontece, a PGFN dispõe de mecanismos como protesto, comunicação a serviços de proteção ao crédito, Cadin e execução fiscal.

Por isso, deixar pequenas contribuições mensais acumularem durante anos pode transformar um valor relativamente controlável em um problema muito mais difícil.

Também é importante diferenciar restrição de crédito de situação cadastral do CPF.

É perfeitamente possível que o CPF esteja “Regular” perante a Receita Federal e, ao mesmo tempo, seu titular possua dívidas ou restrições financeiras.

Da mesma forma, uma pessoa negativada pode abrir um MEI, desde que cumpra os requisitos legais da modalidade.

A formalização, contudo, não cria um novo histórico financeiro independente capaz de apagar as dificuldades anteriores.

Outro erro frequente é encerrar o CNPJ acreditando que a dívida desaparecerá.

A baixa do MEI pode ser realizada mesmo quando existem determinadas pendências, mas as obrigações não são automaticamente perdoadas. Elas podem continuar sendo cobradas do responsável.

Para o microempreendedor que já enfrenta dificuldades, a melhor estratégia é conhecer exatamente o problema.

Consulte débitos fiscais, bancos, fornecedores, cartões e cadastros. Descubra quais contratos possuem garantias e quais cobranças já avançaram para protesto ou execução.

Depois organize uma fila de pagamento compatível com o fluxo de caixa.

Não utilize todo o dinheiro pessoal para cobrir indefinidamente uma atividade que opera no prejuízo. Antes de contratar um novo empréstimo, descubra se o problema é temporário ou se o próprio modelo financeiro do negócio precisa ser corrigido.

Separar conta empresarial e pessoal, controlar o caixa e reservar mensalmente o valor dos tributos são medidas simples que reduzem muito o risco de uma dívida empresarial atingir também a vida financeira da família.

Em resumo: no MEI, CNPJ e CPF possuem cadastros distintos, mas o empresário e o negócio não vivem em universos financeiros totalmente separados. Uma dívida do CNPJ pode não aparecer automaticamente como negativação no CPF, porém pode alcançar o titular, seu patrimônio e sua capacidade de obter crédito. Para o microempreendedor, cuidar do CNPJ é também uma forma de proteger o próprio CPF.

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